Saúde

Trump corta financiamento de estudos realizados com tecidos de fetos

Trump corta financiamento de estudos realizados com tecidos de fetos  (Foto: Pixabay) (Foto: Pixabay)

O governo de Donald Trump anunciou na última quarta-feira (5) que não financiará mais pesquisas focadas em estudar tecidos de fetos humanos. A atitude atende a reivindicações dos grupos antiaborto dos Estados Unidos.

Nenhum pesquisador dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) poderá trabalhar com o material. O governo também afirmou em comunicado que não renovará os contratos de financiamento de estudos que buscam desenvolver novos tratamentos contra o HIV, o vírus que causa a Aids, realizados pela na Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF), por conta da utilização de tecidos fetais.

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“Promover a dignidade da vida humana desde a concepção até a morte natural é uma das principais prioridades da administração do presidente Trump”, afirmou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) em um comunicado. A decisão foi anunciada embora uma auditoria de todas as pesquisas em tecidos fetais tenha sido realizada em setembro de 2018, na qual o governo de Trump havia mantido o contrato com a UCSF por meio de extensões contratuais de 90 dias.

A decisão gerou reações em toda a comunicade acadêmica, que acredita que a decisão tenha sido uma manobra política, sem considerar seus impactos na ciência. De acordo com os especialistas, o estudo de tecidos de fetos é essencial para desenvolver tratamentos de diversos tipos de doença, como Aids, Parkinson, diferentes tipos de câncer e de transtornos mentais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje que o país sairá do Acordo de Paris (Foto: WikiCommons)Para especialistas, decisão do governo de Donald Trump é política e desconsidera dados científicos (Foto: WikiCommons)

Enquanto representantes do movimento antiaborto alegam que não querem ter seu dinheiro "financiando pesquisas em corpos humanos abortados", os especialistas ressaltam que a medida tomada pelo governo dos Estados Unidos se alinha ao perfil conservador de Trump.

No fim de 2018, um grande grupo de cientistas assinou uma carta direcionada a Alex M. Azar II, secretário de saúde e serviços humanos, apontando as incoerências dos questionamentos governamentais sobre o uso dos tecidos de fetos. "Embora tenham ocorrido alguns avanços nos últimos anos que reduziram a necessidade de utilizar o tecido em certas áreas de pesquisa, ele permanece criticamente importante em muitas outras áreas", escreveram.

A Equity Forward, grupo que promove o direito ao aborto para as mulheres, questionou por que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos não divulgou nenhum resultado da revisão feita sobre pesquisas que utilizam tecidos fetais — documento utilizado justamente para justificar a decisão do governo Trump. Para Mary Alice Carter, líder do grupo, a decisão "está colocando milhões de dólares em pesquisas que salvam vidas em risco para agradar a um pequeno grupo de extremistas anti-aborto".

Lute pela Ciência (Foto: Divulgação)Lute pela Ciência (Foto: Divulgação)

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