Saúde

Por que as pessoas desmaiam?

Por que as pessoas desmaiam? Pesquisadores investigam por que as pessoas sofrem desmaios (Foto: Reprodução)Por que as pessoas sofrem desmaios? (Foto: Reprodução)

Talvez seja uma noiva em uma capela quente, ou um corredor exausto depois de uma corrida. Pode ser alguém assistindo a um procedimento médico na TV ou um doador de sangue.Talvez você tenha vivido essa experiência. Você começa a se sentir tonto, o estômago pode doer, as palmas das mãos ficam suadas, a visão embaça, os ouvidos ficam com zumbido… E aí você acorda no chão, olhando para o teto, e se dá conta de que desmaiou. O que aconteceu?

Desmaio — ou o que os médicos tecnicamente chamam de síncope — pode ser causado por um número de fatores. No fim, todos levam a causa principal: a falta de sangue o suficiente no cérebro. Pressão sanguínea o suficiente é necessária para levar sangue — e, portanto, oxigênio — a todos os tecidos do seu corpo. O cérebro, que quando você está sentado ou em pé fica acima do nível do seu coração, depende especialmente que a pressão seja o suficiente para superar a gravidade e levar o sangue para a cabeça.

Então o que pode interromper o processo e fazer você cair no chão antes mesmo de perceber o que está acontecendo?

Sinais nervosos confusos
O gatilho mais comum para um desmaio é uma queda na pressão sanguínea devido a uma forte resposta vasovagal. Esse reflexo tem esse nome por causa do nervo vago, que vai do cérebro ao coração, pulmões e aparelho digestivo,

O trabalho do nervo vago é regular o sistema nervosa parassimpático. Essa é metade do sistema nervoso autônomo, que funciona sem que você precise pensar no assunto. As funções parassimpáticas frequentemente são descritas como descansar-e-digerir.

Por exemplo, no coração, o nervo vago libera um neurotransmissor chamado acetilcolina. A acetilcolina se conecta a células marca-passo para diminuir a frequência cardíaca. Comportamentos como respiração profunda e lenta em práticas como ioga tentam aumentar a atividade parassimpática, diminuindo a frequência cardíaca e levando a um estado de relaxamento.

Embora relaxamento seja algo bom, diminuir o ritmo do coração demais não é tão bom — por exemplo, quando isso provoca uma rápida perda de consciência. Você precisa de um certo número de batimentos cardíacos por minuto para uma pressão sanguínea adequada.

A outra metade do sistema nervoso autônomo é o sistema nervoso simpático. Ele é o responsável pela resposta de luta-e-fuga e é funcionalmente o oposto do parassimpático. O sistema nervoso simpático garante que as veias sanguíneas no tecido de seu corpo mantenham um nível básico de constrição. Essa resistência enquanto o sangue circula por todas as veias finas contribui para pressão sanguínea o suficiente para todo o sistema.

Um aumento na atividade parassimpática reverte essa resistência, permitindo que o sangue fique em tecidos periféricos em vez de seguir para o coração e o cérebro. Falta de resistência, junto com batimentos cardíacos reduzidos, causa uma queda dramática na pressão sangüínea.

E aí você desmaia — ou, mais tecnicamente, experimenta uma síncope neurocardiogênica. Embora às vezes possa ser vergonhoso, é algo bastante comum e, por si só, não muito perigoso.

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Quando uma visão ou som é o gatilho
As causas físicas para o desmaio fazem sentido lógico. Mas há psicologia envolvida também. Pense em alguém que desmaia ao ver sangue. O que ocorre nesse caso que provoque essa resposta vasovagal exagerada?

Tipicamente, quando o corpo sente um estresse inicial — como ver sangue — ele provoca uma resposta cheia de medo que aumenta a atividade do sistema nervoso simpático e a frequência cardíaca aumenta. O corpo por reflexo compensa isso aumentando a atividade parassimpática para reduzir a frequência até que ela volte ao normal. Mas se o sistema parassimpático exagera nessa compensação e diminui muito a frequência, a pressão sanguínea pode diminuir demais, o cérebro recebe menos oxigênio… e você perde a consciência.

Quaisquer que seja a causa do desmaio, a perda de consciência é tipicamente breve; a maioria das pessoas acorda imediatamente ao bater no chão ou mesmo se apoiando em uma cadeira. Neste sentido, alguns pesquisadores sugerem que o desmaio é uma forma de proteção. Quando você se deita, não há mais desafio gravitacional para levar sangue ao cérebro — ele agora está no mesmo nível que o coração. E, se uma pessoa está de fato tendo uma hemorragia ou perdendo sangue, ficar deitado, sem se mover, ajuda a preservar o sangue e reduzir maiores prejuízos. Mas o processo de sair da posição em pé ou sentada e cair no chão é um dos aspectos mais perigosos do desmaio. A pessoa pode bater a cabeça ou outras partes do corpo e se machucar.

A ideia de que o desmaio pode estar relacionado ao potencial de perda sangüínea, em vez de uma resposta a agulhas ou um procedimento médico, tem sido tema de investigações recentes. Em um estudo feito com pessoas saudáveis, assistir a um vídeo de doação ou retirada de sangue provocou uma leve maior ativação da resposta parassimpática do que assistir a um vídeo de uma injeção, sugerindo que há algo especial no sangue por si só.

Esse mesmo grupo de pesquisa mostrou que, se uma pessoa acredita que pode parar o procedimento a qualquer momento, os sintomas vasovagais podem ser minimizados. Isso sugere que o sentimento de medo ou falta de controle pode contribuir para a severidade das respostas do corpo.

Minimize a probabilidade
Todas as diferentes causas para o desmaio e as razões variadas pelas quais uma pessoa pode ter predisposição permanecem pouco claras, embora é amplamente aceito por cientistas que mulheres têm mais probabilidade de desmaiarem.

O que é claro são algumas das estratégias que podem prevenir o desmaio:

– Faze procedimentos deitados na posição sulina. Se sentir que vai desmaiar, dobre os joelhos ou eleve suas pernas para facilitar o fluxo de sangue para o cérebro.
– Contraia os músculos nos braços e pernas para ajudar a levar o sangue de volta para o coração e cérebro.
– Mantenha-se bem hidratado para manter um volume sanguíneo adequado.

Lembre-se de que um episódio ocasional de síncope vasovagal não é motivo para preocupação, contanto que você não se machuque no processo. Mas se o desmaio ocorre com frequência, vale a pena fazer um exame médico.

Anne R. Crecelius é professora de saúde e ciência do esporte na Universidade de Dayton. Artigo originalmente publicado no site The Conversation.

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