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SEPSE: diagnóstico precoce é fundamental para tratar a doença

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  • Publicado: Sexta, 13 de Setembro de 2019, 09h26
  • Última atualização: 13/09/19 10h58

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sepseUma doença grave, que pode matar, mas é pouco conhecida pela população. Estamos falando da sepse, uma infecção que se espalha rapidamente pelo corpo se não for tratada de forma rápida. O Blog da Saúde conversou com a médica Flávia Machado, coordenadora Geral do Instituto Latino Americano de Sepse. Na entrevista, ela explica o que é a doença, como uma boa higiene pode evitá-la e quais os tratamentos adequados.

“Estima-se que haja 400 mil novos casos por ano de SEPSE no Brasil. Por isso, é fundamental reconhecimento precoce da doença e o tratamento adequado para evitar mortes” afirma.

Segundo ela, o risco de sepse pode ser diminuído, principalmente em crianças, quando os responsáveis seguem o calendário de vacinação. Além disso, cuidados básicos de saúde são também importantes. “Uma higiene adequada das mãos e cuidados com o equipamento médico podem ajudar a prevenir infecções hospitalares”, explicou Flávia.

E a doença não acontece só dentro dos hospitais. Por isso, bons hábitos de saúde e evitar a automedicação e o uso desnecessário de antibióticos, podem ajudar. Confira a entrevista.

O que é Sepse?

Antigamente conhecida como infecção generalizada ou ainda como septicemia, a sepse trata-se de uma resposta inadequada do próprio organismo contra uma infecção que pode estar localizada em qualquer órgão. Essa resposta inadequada pode levar ao mau funcionamento de um ou mais órgãos, com risco de morte quando não descoberta e tratada rapidamente. Essa infecção pode ser bacteriana, fúngica, viral, parasitária ou por protozoários.

Quais são as partes do corpo onde aparecerem focos infecciosos?

Os focos infecciosos mais comumente relacionados à sepse são a pneumonia, a infecção urinária e a infecção abdominal, mas a sepse pode ser originada a partir de qualquer outro foco.

Qual é a população que mais é infectada e fatores de risco?

Qualquer pessoa pode desenvolver sepse. No entanto, há grupos de risco, que são os prematuros e crianças abaixo de um ano, idosos acima de 65 anos, pacientes com câncer, AIDS ou que fizeram uso de quimioterapia ou outros medicamentos que afetam as defesas do organismo, pacientes com doenças crônicas como insuficiência cardíaca, insuficiência renal, diabetes; usuários de álcool e drogas e pacientes hospitalizados que utilizam antibióticos, cateteres ou sondas.

Quais são os sintomas?

A sepse é uma síndrome complexa, podendo se apresentar de diversas maneiras e com sintomas decorrentes do mau funcionamento de diferentes partes do corpo. Caso um paciente apresente febre muito alta, aumento da frequência cardíaca, respiração acelerada ou sinais de alerta como confusão, agitação, alteração do nível de consciência, dificuldades para respirar, diminuição da quantidade de urina, pressão baixa o médico deve ser acionado. Uma equipe médica bem treinada é fundamental para que o tratamento seja adequado.

E o diagnóstico?

O diagnóstico da sepse é feito com base na identificação do foco infeccioso e na presença de sinais de mau funcionamento de órgãos. Não há exames específicos, mas sim aqueles voltados para a identificação da presença de infecção, um hemograma e para a identificação do foco, como radiografia de tórax, e exames de urina. É também importante a identificação do agente infeccioso, com coleta de culturas de todos os sítios sob suspeita de infecção, mas principalmente do sangue. São também importantes os exames para identificar a presença de mau funcionamento dos órgãos, principalmente um exame chamado lactato, que mostra se a oferta de oxigênio aos tecidos está adequada.

Temos tratamento?

O principal tratamento da sepse é a administração de antibióticos pela veia o mais rápido possível. Pode ser necessário ainda outros tratamentos dependendo da gravidade do paciente, como por exemplo, oxigênio, soro e outros medicamentos para manter a pressão arterial ou diálise se os rins pararem de funcionar. Um aparelho de respiração artificial pode ser utilizado em caso de dificuldade respiratória grave.

Luíza Tiné, para Blog da Saúde