Saúde

Mulher tem pé e dedos amputados após uso indevido de coletor menstrual

Pesquisadores analisaram 43 estudos para comparar coletor menstrual com absorventes (Foto: Pexels)Mulher tem pé e dedos amputados após choque tóxico por coletor menstrual (Foto: Pexels)

Sandrine Graneau, uma francesa de 36 anos que é mãe de 3 crianças, teve um pé e partes dos dedos das mãos amputados após desenvolver uma condição rara, conhecida como síndrome do choque tóxico. O caso ocorreu na França e foi noticiado pelo jornal local Le Parisien.

O choque tóxico acontece quando entramos em contato com as toxinas produzidas pelas bactérias do gênero Staphylococcus. Embora possa ocorrer em homens e crianças que permaneçam em contato com a bactéria por muito tempo — como através de uma ferida não higienizada, por exemplo —, o problema ficou mais conhecido por estar associado ao uso de absorventes internos. Isso porque, quando os produtos permanecem dentro do corpo por mais tempo do que o recomendado, a proliferação desses organismos resulta na liberação de substância tóxica ou na contaminação pela própria bactéria.

"É importante ressaltar que a menstruação foi feita para sair do corpo, e não ficar retida dentro da vagina por muito tempo", explicou Eduardo Motta, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em entrevista à GALILEU. De acordo com o especialista, as consequências da longa exposição a bactérias presentes na mentruação "podem ser infecções graves, cuja porta de entrada foi o absorvente".

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O caso de Graneau, entretanto, surpreendeu os médicos franceses, pois ela usava um coletor menstrual quando foi contaminada. Segundo uma investigação realizada em 2019 sobre os conhecidos "copinhos", eles são o método mais seguro dentre as opções disponíveis para as mulheres coletarem o sangue liberado durante a menstruação.

Segundo Motta, vale lembrar que tanto a segurança quanto a eficácia dos absorventes ou coletores dependem do uso correto dos produtos. É importante se atentar ao que está escrito na embalagem e nunca ultrapassar o tempo de uso recomendado pelo fabricante.

Graneau não lembra quanto tempo permaneceu com o coletor dentro do canal vaginal até retirá-lo. Contudo, ela afirmou ao Le Parisien que, muitas vezes, as recomendações variam muito entre fabricantes, o que pode confundir as consumidoras.

“Quando ouço que a infecção está relacionada ao uso inadequado de coletores e absorventes por mulheres, fico desanimada, pois as informações que nos são fornecidas não são claras", disse a francesa. "Segundo o fabricante, está escrito nas instruções que os copinhos podem ser usados ​​por 4, 6, 8 ou 12 horas. Por que não é indicado um tempo de uso claro e padronizado?”, questionou.

Tendo isso em vista, Motta observa que é importante fazer o uso criterioso de coletores mentruais e absorventes internos, evitando usá-los em situações cuja exposição a eles será prolongada, como em viagens ou durante o sono. "O ideal é que esses produtos sejam usados por curtos períodos de tempo, até quatro horas. Além disso, [a mulher] deve estar atenta à higiene da região íntima e do coletor ou absorvente reutilizável", descatou o especialista.

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