Saúde

Aparelho consegue manter coração vivo por até 24 horas fora do corpo

Cirurgia (Foto: Pixabay)Cientistas criam aparelho que mantém coração vivo por até 24H fora do corpo (Foto: Pixabay)

Cientistas desenvolveram um aparelho que poderá revolucionar a forma como realizamos transplantes de coração: o equipamento pode manter o órgão vivo por até 24 horas — 20 a mais do que é possível hoje em dia. A descoberta foi compartilhada por Rafael Veraza, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, em uma reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência que ocorreu nesta semana.

Segundo o especialista, a tecnologia foi testada apenas em corações de porcos, mas os resultados são primissores. ULiSSES, como o equipamento foi batizado, foi testado em cinco órgãos e o nível de morte celular nas 24 horas seguintes à remoção do coração foi muito baixo.

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“O primeiro coração foi transportado há mais de 50 anos, quando o colocaram sobre gelo; décadas depois, o procedimento é feito da mesma maneira", afirmou Veraza, segundo o DailyMail. "Ser capaz de manter um coração viável por 24 horas significa que você pode transportá-lo para quase qualquer lugar do mundo, e isso pode salvar muitas vidas."

O próximo passo da pesquisa é transplantar os corações de volta aos porcos, para garantir que eles funcionem corretamente, antes de passar para os testes com corações humanos. Depois disso, a equipe pretende começar a testar a eficácia do equipamento em corações humanos —aqueles que são doados, mas por algum motivo não podem ser transplantados.

Hoje especialistas conseguem manter órgão vivo por no máximo 4 horas. Segundo pesquisadores, descoberta poderá revolucionar a forma como fazemos transplantes de coração (Foto: Divulgação)Hoje especialistas conseguem manter órgão vivo por no máximo 4 horas. Segundo pesquisadores, descoberta poderá revolucionar a forma como fazemos transplantes de coração (Foto: Divulgação)

“O importante em nossa pesquisa é o quão portátil é esse dispositivo", ressaltou Veraza. "Esperamos que [o equipamento] disponibilize mais órgãos, que possam ser mantidos em boa qualidade, para que haja mais correspondências [entre doador e receptor] e menos rejeições."

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Os cientistas também esperam usar a tecnologia para preservar e transportar membros amputados que são perdidos em campos de batalha ou acidentes. A ideia é desenvolver um aparato que os mantenha vivos por mais tempo, permitindo que sejam recolocados.

John Forsythe, diretor médico do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, contou para o DailyMail que o uso de máquinas para estabilizar e preservar órgãos é uma área importante da medicina que está sendo estudada por diversos pesquisadores ao redor do mundo. "O uso de técnicas de 'perfusão' de oxigênio [como a utilizada pelos norte-americanos] já provou ser extremamente bem-sucedido em outros órgãos, incluindo fígado e pâncreas', explicou o especialista.

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