Saúde

Chatbot ajuda mulheres a identificar e combater relacionamentos abusivos

Iniciativa que criou a chatbot Maia que ajudar a reduzir número de casos de violência contra a mulher, principalmente entre jovens (Foto: Kat Jayne/Pexels)Iniciativa que criou a chatbot Maia que ajudar a reduzir número de casos de violência contra a mulher, principalmente entre jovens (Foto: Kat Jayne/Pexels)

Ter um relacionamento amoroso saudável pode ser um desafio para milhões de brasileiras. Um levantamento do Datafolha, feito em fevereiro deste ano e encomendado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostra que, nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil. Além disso, 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio. Muitas dessas mulheres são jovens de 16 a 24 anos e boa parte dos autores dessas violências são seus companheiros.

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Foi pensando nesses números alarmantes que o Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Microsoft, criou a Maia (Minha Amiga Inteligência Artificial), uma chatbot de inteligência artificial que ajuda meninas a reconhecerem relacionamentos abusivos e saírem deles. O lançamento dá sequência à campanha #NamoroLegal, um projeto iniciado em junho de 2019.

Idealizada por Valéria Scarance, promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Gênero do MPSP, a campanha visa chamar a atenção para um problema social cada vez maior e que atinge diversas faixas etárias: a violência contra a mulher.

Em entrevista a GALILEU, Valéria diz que o termo “relacionamento abusivo” não será mencionado pela Maia. “Muitas não se identificam numa situação de violência. A Maia vai mostrar, então, o que é legal de acontecer em um namoro, amizade, e o que não é”, explica Valéria.

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O relacionamento abusivo começa com atitudes sutis de controle, isolamento e ciúmes por parte do parceiro — muitas vezes confundidos com "atos de amor". É comum que as mulheres não identifiquem esses comportamentos e acreditem que possam mudar a postura do companheiro.

Como o assunto tem sido cada vez mais discutido entre os jovens, está cada vez mais fácil identificar e combater esse tipo de relação, evitando também que evoluam para casos de feminicídio. A juvenização da violência de gênero é um fenômeno mundial e as autoridades já estão notando uma tendência à essa transgressão entre adolescentes e jovens.

Valéria explica que quanto mais as jovens conversem com a Maia, mais a chatbot vai adquirindo uma linguagem parecida com a dessas meninas. “Você pode conversar com a Maia através de qualquer celular com internet. Basta acessar o site do ‘Namoro Legal’”, complementa Scarance.

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Maia é uma aliada na prevenção da violência e está treinada para reconhecer perigos em uma relação. As dicas da chatbot incluem procurar uma pessoa de confiança para se abrir e buscar ajuda psicológica de um profissional. Também são dadas orientações de ouvidorias e Delegacias de Defesa da Mulher.

A iniciativa ainda é apadrinhada pela Plan International, uma ONG humanitária que promove os direitos das crianças e a igualdade para as meninas; pelo Girl Up, movimento global da Fundação ONU que treina, inspira e conecta meninas para que sejam líderes pela igualdade de gênero; e pelo Instituto AzMina, uma organização sem fins lucrativos focada em jornalismo, tecnologia e informação contra o machismo. As entidades parceiras também hospedarão a Maia em seus respectivos sites.

*Com supervisão de Larissa Lopes