Saúde

Urina de astronautas poderia ser usada em construção de bases lunares

A urina de astronautas poderia ser usada como plastificante para materiais de construção de bases lunares, diz estudo (Foto: Divulgação / ESA)A urina de astronautas poderia ser usada como plastificante para materiais de construção de bases lunares, diz estudo (Foto: Divulgação / ESA)

As agências espaciais dos Estados Unidos, da Europa e da China já manifestaram seu interesse em construir bases lunares nas próximas décadas. O plano é bem desafiador: para começar, o transporte de apenas 450 gramas de material da Terra até seu satélite natural é avaliado em cerca de 10 mil dólares. Porém, de acordo com um novo estudo divulgado na publicação científica Journal of Cleaner Production, uma parte desse problema pode ser solucionada pela urina dos próprios astronautas.

A pesquisa conduzida por especialistas da Noruega, Espanha, Holanda e Itália em colaboração com a Agência Espacial da Europa (ESA) levanta a possibilidade da substância excretada pelos humanos servir de plastificante, um tipo de aditivo que suaviza materiais de construção. "Para fazer o concreto geopolimérico que será usado na Lua, a ideia é usar o que já está lá: regolito (o material solto sobre a superfície lunar) e a água do gelo que está presente em algumas áreas", explica Ramón Pamies, professor da Universidade Politécnica de Cartagena (Espanha) e coautor do estudo, em um comunicado. "Mas neste estudo, vemos que um resíduo descartável, como a urina da equipe de astronautas a ocupar as bases lunares, também poderia ser útil."

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Segundo o especialista, o excremento é majoritariamente composto por água e ureia, sendo que esta segunda molécula permite a quebra de ligações de hidrogênio – o que reduz as viscosidades de várias misturas aquosas.

Para testar essa ideia, os cientistas misturaram um material semelhante ao regolito lunar com ureia e diferentes plastificantes, e, depois, usaram uma impressora 3D para criar cilindros de "lama". O que eles verificaram, então, é que as amostras com ureia em sua composição suportavam grandes pesos e mantinham seus formatos bem estáveis, além de ficarem ainda mais resistentes após serem aquecidas a 80°C e passarem por ciclos de gelo e degelo, como passariam na Lua.

Lua vista da Apollo 11 (Foto: NASA)Lua vista da Apollo 11 (Foto: NASA)

Os resultados dos experimentos trazem nova luz às dificuldades da construção de uma base lunar – uma lista que, além do alto custo de transporte de materiais, inclui também problemas como altos níveis de radiação, temperaturas extremas e choques de meteoritos. No entanto, os autores do estudo reforçam que ainda são necessários mais testes para se encontrar os melhores materiais em tal tipo de construção.

"Ainda não investigamos como a ureia poderia ser extraída da urina, uma vez que estamos verficando se isso realmente seria necessário; talvez os outros componentes [do excremento] também poderiam ser usados para se fazer concreto geopolimérico", aponta Anna-Lena Kjøniksen, pesquisadora da Universidade Østfold (Noruega) e coautora do estudo.

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